Segue o manifesto dos moradores do Pinheirinho aos Soldados.
Cumpram seu dever: estejam do lado do povo!
Não reprimam nossas famílias!
O soldado é o homem do povo fardado.
Sua tarefa mais honrosa é defender seu próprio povo.
Entre o povo estamos nós, estão vocês, sua família, amigos e entes queridos.
Vocês nos conhecem. Sabem do nosso dia a dia, porque estamos juntos nos bairros.
Por que nos reprimir? Que crime nós cometemos?
Vocês sabem que temos uma vida sofrida. Escolhemos o caminho da luta para ter um teto para morar, um lugar para criar nossa família e construir uma vida digna. Isso não é crime.
Os que mandam reprimir nossas famílias são os milionários que só pensam nos seus bolsos e não se importam com nossa vida. Querem ganhar milhões com grandes empreendimentos nesse terreno.
A área do Pinheirinho foi grilada dos alemães. A empresa Selecta, proprietária do terreno, é uma empresa fantasma, nunca teve nenhum funcionário. O dono é Naji Nahas, condenado por lavagem de dinheiro e corrupção.
Esses senhores deixaram o terreno abandonado por mais de 30 anos e não pagaram IPTU.
Hoje, floresce a vida: tem casas, comércios e igrejas. Nossas crianças brincam nas ruas, comem pipoca e algodão doce. Com uma ação violenta, querem destruir tudo.
Aqui está a nossa nova vida! Nós não temos outra alternativa, senão defendê-la.
Soldados, estejam do nosso lado! Não sejam os capatazes e os algozes do seu povo! Vocês estão apontando para o lado errado! Os verdadeiros criminosos estão do outro lado das barricadas!
Honrem seus uniformes e cumpram com seu dever! Não reprimam seu povo! Estejam do nosso lado! Esse é seu verdadeiro posto de combate!
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“Quando o poder é tirânico, a revolta é um dever”. São Tomás de Aquino
caiorearte.blogspot.com
24.1.12
9.11.11
NOTA PÚBLICA DOS PRESOS POLÍTICOS DA USP
NOTA PÚBLICA DOS PRESOS POLÍTICOS DA USP
São Paulo, 08 de novembro de 2011 - 14h15
Nós, estudantes da USP, que lutamos contra a polícia na universidade e pela retirada dos processos administrativos contra estudantes e trabalhadores, viemos por meio desta nota pública, denunciar a ação da tropa de choque e da polícia militar na madrugada do dia 8/11.
Numa enorme demonstração de intransigência em meio ao período de negociação e na calada da noite, a reitoria foi responsável pela ação da tropa de choque da PM que militarizou a universidade numa repressão sem precedentes. Num operativo com 400 homens, cavalaria, helicópteros, carros especializados e fechamento do Portão 1 instalou-se um clima de terror, que lembrou os tempos mais sombrios da ditadura militar em nosso pais.
Resistimos e nos obrigaram a entrar em salas escuras, agrediram estudantes, filmaram e fotografaram nossos rostos (homens sem farda nem identificação). Levaram todas as mulheres (24) para uma sala fechada, obrigando-as a sentarem no chão e ficarem rodeadas por policiais homens com cassetetes nas mãos. Levaram uma das estudantes para a sala ao lado, que gritou durante trinta minutos, levando-nos ao desespero ao ouvir gritos como o das torturas que ainda seguem impunes em nosso país. Tudo isso demonstra o verdadeiro caráter e o papel do convênio entre a USP e a polícia militar.
A ditadura vive na USP. Tropa de choque, polícia militar, perseguições a estudantes e trabalhadores, demissão de dirigentes sindicais, espionagem contra ativistas e estudantes, repressão através de consultas psiquiátricas aos moradores do CRUSP (moradia estudantil).
Nós, que estamos desde as 5h sob cárcere e controle dos policias, chamamos todos a se manifestarem contra a prisão de 73 estudantes e trabalhadores por lutarem com métodos legítimos por seus direitos.
Responsabilizamos o reitor João Grandino Rodas, e toda a sua burocracia acadêmica e o governador do estado de SP Geraldo Alckmin, junto ao seu secretário de segurança pública, por toda a repressão dessa madrugada.
Reafirmamos nossa luta contra a polícia, dentro e fora da universidade, que reprime a população pobre e trabalhadora todos os dias.
Fora PM!
Revogação do convenio!
Retirada dos processos!
Liberdade aos presos políticos!
"Pode me prender, pode me bater, pode até deixar-me sem comer, que eu não mudo de opinião! Porque da luta eu não saio não!"
1.11.11
Declaração dos representantes dos trabalhadores no Cons. Gestor do Campus
Segue declaração dos representantes dos trabalhadores da USP no Conselho Gestor do Campus.
Diante da crise aberta com a repressão policial na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP na tarde do dia 27 de outubro, a Reitoria da USP tem afirmado – por meio de comunicado oficial e declarações à imprensa – que a regulamentação da atuação da PM na USP foi feita com a anuência dos representantes de funcionários, estudantes e professores no Conselho Gestor do Campus universitário.
Vimos, através desta declaração, denunciar essa farsa montada pela Reitoria com o intuito não só de atribuir uma mentirosa legitimidade à sua decisão de regulamentar a ação da PM na USP, mas também de eximir-se da sua responsabilidade pela brutal repressão deflagrada contra os estudantes no dia 27 de outubro.
Nós, representantes dos funcionários no Conselho Gestor, não só fomos eleitos em base a um programa de repúdio à entrada da PM na USP, como deixamos claramente assentada essa posição frente à política da reitoria de legitimar a repressão policial na USP através do deste Conselho. Na ata da reunião do Conselho no dia 05 de Agosto de 2011 em que teve como pauta a Aprovação do Protocolo de Coorperação entre a USP e a Secretaria de Segurança Pública pode-se ler: “o Sr. Marcello Ferreira dos Santos – Representante do servidores – manifesta-se contrário ao documento (...) informa que a deliberação da assembléia dos servidores não docentes é contra a presença da Policia Militar no Campus. (...) questiona o porque dos servidores não são ouvidos quando da tomada de decisões na Universidade e nem o número de real de servidores é levado a sério quanto a representatividade. (...) abre votação e a proposta é aprovada com dois votos contrários (dos dois representantes dos funcionários Marcello e Solange e em virtude da ausência justificada do representante Mario, como consta na ata) e uma abstenção( representada pela vice-diretora da Faculdade de Educação)”.
O repúdio à presença da polícia na USP é resolução tomada reiteradas vezes em inúmeras assembleias, encontros e congressos dos trabalhadores da USP. Essa decisão se apoia na convicção de que a polícia, ao contrário de estar a serviço de garantir a “segurança pública”, cumpre a função política de “controle social” da pobreza estrutural do país, com a repressão sistemática dos pobres, negros e filhos da classe trabalhadora nas favelas, vitimas permanentes da repressão e assassinatos policiais. As classes dominantes utilizam o discurso de “segurança pública” para esconder sua responsabilidade sobre as raízes da violência urbana, que se encontram no desemprego estrutural, no trabalho precário, na falta de moradia, no sucateamento da educação, etc. A burocracia acadêmica, como agentes das classes dominantes dentro da universidade, reproduzem esse discurso para defender o caráter elitista e racista da universidade, tratando os moradores da Favela São Remo – vizinha da USP – como marginais, apesar da maioria dos trabalhadores que garantem a limpeza, a alimentação a manutenção e todos serviços básicos da universidade ali morarem. Para nós, o problema da violência urbana só pode ser resolvido com emprego, moradia, saúde, educação, cultura e lazer dignos para toda a população. O repúdio à presença da polícia na USP, que fere a autonomia universitária, representa a defesa de uma conquista democrática elementar: é impossível, sob a sombra das armas do Estado, produzir de qualquer conhecimento ou reflexão crítica que se coloque contra o caráter opressor e explorador da sociedade de classes e esteja a serviço dos interesses dos trabalhadores e do povo pobre. Não passa de pura hipocrisia elitista e racista dizer que a polícia deve entrar na USP porque essa não pode ser uma “ilha” isolada do conjunto da sociedade. Para com o isolamento da USP em relação ao conjunto da população que à sustenta, é necessário acabar com o vestibular, estatizar as universidades privadas e garantir verbas públicas suficientes para que todos os filhos da classe trabalhadora possam ter acesso ao ensino superior de qualidade.
Nós, representantes dos funcionários no Conselho Gestor, denunciamos como uma difamação as declarações da Reitoria que pretendem imputar a nós a conivência com a regulamentação da ação policial no Campus. Exigimos que a Reitoria publique – no Jornal da USP e em todos os meios de comunicação que veicularam tal difamação – a ata da reunião do Conselho que desmascara essa mentira, conjuntamente com esta declaração. Exigimos uma retratação pública e as punições legais que correspondem a essa ação difamatória.
Por fim, fazemos nossa a luta dos estudantes pela retirada da PM da USP e apoiamos a ocupação da Administração da FFLCH por seus alunos, chamamos a ADUSP, o DCE e os Centros Acadêmicos a unir forças para que essa demanda seja conquistada.
Marcello Ferreira dos Santos (Pablito)
Solange Conceição Lopes Veloso
José Mario de Freitas Balanco
Declaração dos representantes dos trabalhadores da USP no CGC
Diante da crise aberta com a repressão policial na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP na tarde do dia 27 de outubro, a Reitoria da USP tem afirmado – por meio de comunicado oficial e declarações à imprensa – que a regulamentação da atuação da PM na USP foi feita com a anuência dos representantes de funcionários, estudantes e professores no Conselho Gestor do Campus universitário.
Vimos, através desta declaração, denunciar essa farsa montada pela Reitoria com o intuito não só de atribuir uma mentirosa legitimidade à sua decisão de regulamentar a ação da PM na USP, mas também de eximir-se da sua responsabilidade pela brutal repressão deflagrada contra os estudantes no dia 27 de outubro.
Nós, representantes dos funcionários no Conselho Gestor, não só fomos eleitos em base a um programa de repúdio à entrada da PM na USP, como deixamos claramente assentada essa posição frente à política da reitoria de legitimar a repressão policial na USP através do deste Conselho. Na ata da reunião do Conselho no dia 05 de Agosto de 2011 em que teve como pauta a Aprovação do Protocolo de Coorperação entre a USP e a Secretaria de Segurança Pública pode-se ler: “o Sr. Marcello Ferreira dos Santos – Representante do servidores – manifesta-se contrário ao documento (...) informa que a deliberação da assembléia dos servidores não docentes é contra a presença da Policia Militar no Campus. (...) questiona o porque dos servidores não são ouvidos quando da tomada de decisões na Universidade e nem o número de real de servidores é levado a sério quanto a representatividade. (...) abre votação e a proposta é aprovada com dois votos contrários (dos dois representantes dos funcionários Marcello e Solange e em virtude da ausência justificada do representante Mario, como consta na ata) e uma abstenção( representada pela vice-diretora da Faculdade de Educação)”.
O repúdio à presença da polícia na USP é resolução tomada reiteradas vezes em inúmeras assembleias, encontros e congressos dos trabalhadores da USP. Essa decisão se apoia na convicção de que a polícia, ao contrário de estar a serviço de garantir a “segurança pública”, cumpre a função política de “controle social” da pobreza estrutural do país, com a repressão sistemática dos pobres, negros e filhos da classe trabalhadora nas favelas, vitimas permanentes da repressão e assassinatos policiais. As classes dominantes utilizam o discurso de “segurança pública” para esconder sua responsabilidade sobre as raízes da violência urbana, que se encontram no desemprego estrutural, no trabalho precário, na falta de moradia, no sucateamento da educação, etc. A burocracia acadêmica, como agentes das classes dominantes dentro da universidade, reproduzem esse discurso para defender o caráter elitista e racista da universidade, tratando os moradores da Favela São Remo – vizinha da USP – como marginais, apesar da maioria dos trabalhadores que garantem a limpeza, a alimentação a manutenção e todos serviços básicos da universidade ali morarem. Para nós, o problema da violência urbana só pode ser resolvido com emprego, moradia, saúde, educação, cultura e lazer dignos para toda a população. O repúdio à presença da polícia na USP, que fere a autonomia universitária, representa a defesa de uma conquista democrática elementar: é impossível, sob a sombra das armas do Estado, produzir de qualquer conhecimento ou reflexão crítica que se coloque contra o caráter opressor e explorador da sociedade de classes e esteja a serviço dos interesses dos trabalhadores e do povo pobre. Não passa de pura hipocrisia elitista e racista dizer que a polícia deve entrar na USP porque essa não pode ser uma “ilha” isolada do conjunto da sociedade. Para com o isolamento da USP em relação ao conjunto da população que à sustenta, é necessário acabar com o vestibular, estatizar as universidades privadas e garantir verbas públicas suficientes para que todos os filhos da classe trabalhadora possam ter acesso ao ensino superior de qualidade.
Nós, representantes dos funcionários no Conselho Gestor, denunciamos como uma difamação as declarações da Reitoria que pretendem imputar a nós a conivência com a regulamentação da ação policial no Campus. Exigimos que a Reitoria publique – no Jornal da USP e em todos os meios de comunicação que veicularam tal difamação – a ata da reunião do Conselho que desmascara essa mentira, conjuntamente com esta declaração. Exigimos uma retratação pública e as punições legais que correspondem a essa ação difamatória.
Por fim, fazemos nossa a luta dos estudantes pela retirada da PM da USP e apoiamos a ocupação da Administração da FFLCH por seus alunos, chamamos a ADUSP, o DCE e os Centros Acadêmicos a unir forças para que essa demanda seja conquistada.
Marcello Ferreira dos Santos (Pablito)
Solange Conceição Lopes Veloso
José Mario de Freitas Balanco
31/10/11
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