19/02/2016

Ataque em Ancara

Desde que escrevi a coluna publicada hoje, houve um grupo que assumiu a responsabilidade do ataque terrorista em Ancara, que atingiu um ônibus de militares turcos. O grupo se chama Kurdistan Freedom Falcons (Falcões da Liberdade do Curdistão). É claro, as manchetes dizem que "um grupo curdo" atacou o ônibus de militares. De fato, o grupo é curdo. Porém, é um grupo que foi rejeitado pelo PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), após ter começado uma campanha de ataques terroristas.

Ou seja, aqui temos um grupo que não faz parte da aliança do YPG. É um grupo desgarrado, mas que serve perfeitamente aos propósitos do governo turco - e, por extensão, da aliança anti-Assad. É possível culpar "os curdos" pelos ataques, e perpetuar a linha de que os curdos querem guerra com a Turquia, justificando assim uma ofensiva turca.

Diversas guerras começaram com mentiras. A resolução do Golfo de Tonkin, que deu a legitimidade e o impulso para o início da Guerra do Vietnã, foi baseada em um ataque que não aconteceu. A assassinato de bebês iraquianos numa maternidade, por soldados de Saddam Hussein, que comoveu a opinião pública dos EUA, foi uma farsa de uma empresa de marketing. Em setembro de 2013, em resposta a um suposto ataque químico do governo sírio em 21 de agosto daquele ano, o legislativo estadunidense quase aprovou uma "Autorização de Uso de Força Militar" que levaria os EUA a uma guerra direta contra a Síria. O governo dos EUA nunca apresentou provas de que o ataque foi feito por forças sírias. Anos depois, ainda não temos provas e há indicações que o ataque foi feito pelos rebeldes, não pelo governo.

"A névoa da guerra" - Coluna no jornal Hora do Povo, 19/02/2016

A névoa da guerra

Os tambores da guerra batem cada vez mais alto. Na Síria, houve uma escalada do conflito. A Turquia atacou uma base aérea controlada pelo YPG* na região de A'zaz, dizendo que o YPG está aproveitando a luta contra o ISIS para avançar demais sobre o território turco. Os EUA, que há apenas duas semanas elogiaram o YPG como um dos mais eficientes aliados no combate ao ISIS, ficou na delicada posição de ter que condenar uma ação militar por parte de um aliado. Esse ataque veio logo após uma decisiva ofensiva da coalizão Síria-Rússia-Irãsobre a cidade de Aleppo, uma das fortalezas dos rebeldes que querem derrubar o governo de Assad. O ataque também violou um acordo de cessar-fogo estabelecido em Munique apenas quatro dias antes. Pra completar, a Arábia Saudita e a Turquia passaram a dizer que estão apenas esperando o aval da coalizão anti-ISIS para iniciar uma invasão por terra na Síria.
O ataque ao YPG, propagandeado pela Turquia como autodefesa, nada fora do comum, acabou servindo mais de um propósito. Ao mesmo tempo que permitiu ao governo turco reafirmar sua posição contra o PKK, também enfraqueceu uma importante organização armada que está de fato atuando ao lado do governo Bashar Al Assad. A Turquia e a Arábia Saudita estão bastante comprometidas em retirar Assad do poder e, para isso, estão apoiando e financiando diversos grupos rebeldes no território sírio. Com isso, acabam indiretamente apoiando o próprio ISIS, que se beneficia da desestabilização do governo e do enfraquecimento do Exército Sírio.
O acordo de cessar-fogo foi bastante peculiar. Primeiro, é óbvio que um acordo diplomático só se aplica a entidades que acreditam na via diplomática – o que já exclui o ISIS, o Jabhat al-Nusra e inúmeros outros grupos. Isso levou Bashar Al Assad a comentar quetal acordo é simplesmente impossível de ser levado a cabo. Afinal, o Exército Sírio não vai ficar de braços cruzados enquanto os terroristas continuam a agir. Nem a Rússia, que continuou sua campanha de bombardeios em apoio a Assad – levando a mídia a condená-los por “violarem o acordo”.
O discurso em concerto da Turquia e da Arábia Saudita – ameaçando uma invasão por terra com milhares de tropas para “acabar com o conflito”– mostra que ambos os países estão impacientes com a guerra na Síria. É uma ameaça dupla. Primeiro, é uma ameaça a coalizão Síria-Rússia-Irã, já que o alvo de tal invasão é Bashar Al Assad. Segundo, é um modo de colocar os EUA contra a parede. Ou os EUA estão com os turcos e os sauditas, ou estão contra eles.


P.S.: Enquanto fecho esta coluna, um ataque brutal ocorreu na capital daTurquia, Ancara, matando 28 pessoas. O ataque foi próximo ao parlamento turco, e atingiu um ônibus que carregava soldados turcos. Até agora, nenhum grupo assumiu a responsabilidade do ataque, o que eu acho bastante suspeito. Afinal, um ataque bem sucedido num alvo tão significativo deveria ser motivo de comemoração, para um grupo terrorista. Há a possibilidade do governo turco culpar o PKK e utilizar o ataque como a gota d'água para justificar uma ofensiva militar mais robusta sobre os curdos – o que, talvez, seja o primeiro passo para a tal “invasão por terra” para tirar Assad do poder.

*: Unidades de Proteção Popular, uma organização militar que tem o apoio do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Link do original: http://horadopovo.com.br/2016/02Fev/3416-19-02-2016/P7/pag7e.htm

12/02/2016

"Amizades perigosas" - Coluna no jornal Hora do Povo, 05/02/2016

Amizades Perigosas

Afinal, de que lado os EUA estão na guerra na Síria? Vou fazer uma pequena análise de maneira indireta – olhando para o que os seus aliados próximos fazem. O bom e velho “diga-me com quem andas que direi quem tu és”…

A Arábia Saudita - “um ISIS que deu certo”, segundo o colunista do New York Times Kamel Daoud - praticamente deve sua existência aos EUA. Sem as volumosas vendas de material militar do Pentágono para a família dos Saud, dificilmente o país seria uma potência regional. Os EUA, por sua vez, ganham um local privilegiado para utilizar de base nas suas aventuras sangrentas no Oriente Médio, e também uma demanda permanente por seus dólares, já que essa é a moeda oficial para os negócios da Aramco, a empresa nacional responsável pela exploração do petróleo no país.

A religião oficial do reinado da Arábia Saudita é uma forma do islamismo sunita chamada Wahhabismo. É por isso que a lei islâmica, a Sharia, é a lei do reinado. É por isso que a decapitação, a crucificação e o apedrejamento fazem parte das punições legais de lá. É por isso que as mulheres não podem dirigir. A oposição ao governo é punida com a morte. A resposta dos EUA quando esse tipo de assunto é tocado é padrão: eles dizem que “estão pedindo para que os governantes sauditas respeitem os direitos humanos”. Obviamente, seus pedidos não fazem muito efeito.

O ápice da contradição dessa relação entre EUA e Arábia Saudita veio no 11 de setembro de 2001. A primeira investigação sobre o ataque por uma comissão parlamentar, que terminou em dezembro de 2002, foi marcada por uma verdadeira muralha com relação as informações do financiamento da Al Qaeda pelos sauditas. No relatório final, há um capítulo sobre esse financiamento. Mas até hoje, o público não sabe o que esse capítulo diz, já que ele foi inteiramente censurado em nome da “segurança nacional”, para não envergonhar os “amigos” sauditas. Será que esse acobertamento não ajudou as organizações irmãs da Al Qaeda a prosperarem e se espalharem pelo mundo – inclusive na Síria? Será que alguns desses financiadores estão ajudando o Estado Islâmico hoje?

A Turquia, por sua vez, tem papel-chave no conflito, já que é através de suas fronteiras que o petróleo e parte das armas do ISIS são contrabandeados (a outra parte das armas vem do Iraque, cortesia dos EUA). É na Turquia que alguns dos grupos rebeldes “moderados” são treinados pela CIA e pelo Pentágono e enviados para combater o regime de Assad.

O presidente Putin e seu ministro de Relações Exteriores Lavrov consistentemente apresentam provas dessa ligação crucial para a existência do ISIS. Porém, o país é membro da Otan, aliado dos EUA, e, assim como a Arábia Saudita, não pode ser responsabilizado por fomentar o terrorismo! Por isso, tudo que os russos dizem deve ser desacreditado, dado a mínima importância. Os contundentes discursos antiterroristas de Obama, Kerry, Clinton e outros sempre dão um jeito de se distanciar de tudo que é ruim nos seus aliados, e de seu próprio papel passivo, de não combater firmemente grupos que ajudam os terroristas. Não caiam nessa!

Link do original: http://horadopovo.com.br/2016/02Fev/3414-05-02-2016/P7/pag7f.htm
 

23/01/2016

Coluna do jornal Hora do Povo, 22/01/2016

Olá, leitor.

Segue a minha última coluna, publicada nesta edição do jornal Hora do Povo.

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Cúpula das Sombras

Nesta coluna, procuro dar um ponto de vista diferente sobre acontecimentos recentes ao redor do mundo que dizem respeito a expansão do império estadunidense. Mas hoje vou dar um passo para trás, e vou falar sobre um pouco da história que me ajuda a compreender o andar dessa carruagem imperial, e que talvez ajude o leitor também.

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No meu blog, escrevi dois artigos sobre a CIA (um e dois). No primeiro artigo, falei sobre o National Security Council (Conselho de Segurança Nacional), que reúne a alta cúpula do Poder Executivo dos EUA: Presidente, Vice-Presidente, Secretário de Defesa, Secretário de Estado e outros convidados. As reuniões do NSC são parte importantíssima de todas as presidências a partir de 1947, quando a entidade foi criada. Por exemplo, foi durante uma reunião do NSC em 11 de dezembro de 1962 que John F. Kennedy discutiu um documento secreto doDepartamento de Estado que descrevia “colaborar com elementos brasileiros hostis a Goulart visando sua derrubada” como uma das alternativas para os EUA frente a situação política do Brasil na época. Foi numa reunião do NSC em 30 de janeiro de 2001 que Bush, Cheney, Rumsfeld e companhia começaram a discutir a possibilidade de travar uma guerra contra o Iraque, uma intenção que o resto do mundo só tomou conhecimento dali a vários meses, quando os EUA responderam aos ataques de 11 de setembro. É também ao NSC que é enviada a nata da inteligência coletada pelos espiões humanos e eletrônicos espalhados pelo mundo.

Negação plausível

No segundo, falei sobre plausible deniability (“negação plausível”). Esse conceito diz respeito a estrutura de uma operação clandestina. Basicamente, é o modo pelo qual os membros do NSC são capazes de dizer que “não sabiam de nada” quando alguma operação dessas dá errado e é tornada pública. Funciona assim: acompanhado da operação em si, é elaborada uma história que os agentes (ou seus superiores) devem repetir caso sejam pegos. O objetivo de tais histórias, além de proteger os agentes, é proteger a cadeia de comando que ordenou tal operação. Por exemplo, em maio de 1960, quando o avião-espião U-2, em missão da CIA, foi abatido em território soviético, a história oficial imediatamente transmitida era de que o voo era da NASA e tinha objetivos “científicos”. O então Primeiro-ministro soviético Nikita Khrushchev usou essa história “plausível” contra os EUA, esperando vários dias para revelar que o avião estava tripulado por um espião, que foi capturado. Isso causou enorme vergonha para a administração Eisenhower. Mais de uma semana depois do incidente, o então Presidente Dwight Eisenhower admitiu que sabia do verdadeiro propósito do voo.

Névoa da ignorância

Essa alta cúpula da Casa Branca, portanto, age de maneira muito sofisticada e furtiva para atingir seus objetivos. E um dos pilares de seu modo de agir é a ignorância do público em relação ao seu funcionamento. Eles literalmente “se safam” de qualquer tipo de exposição pública – ou punição – mesmo quando vão contra diversas leis e convenções. A guerra do Iraque, por exemplo, nos foi vendida como uma “resposta” ao ataque de 11 de setembro de 2001. Porém, quando o conteúdo das primeiras reuniões do NSC sob Bush foi revelado, ficou claro que os ataques foram apenas uma “desculpa”, e que a guerra ao Iraque estava sendo planejada muito antes deles. Será que se o público soubesse disso, a guerra teria o apoio que teve?

31/10/2015

Tony Blair "pede desculpas" pelos erros na invasão do Iraque

Leitores, dá pra acreditar nisso?

Vejam só esse segmento da CNN:

http://edition.cnn.com/2015/10/25/europe/tony-blair-iraq-war/

Nele, Fareed Zakaria entrevista Tony Blair e eles tem o seguinte diálogo:
Fareed Zakaria: "Dado, no entanto, que Saddam Hussein não possuía armas de destruição em massa, a decisão de entrar no Iraque e derrubar seu regime foi um erro?"

Tony Blair: "Posso dizer que peço desculpas pelo fato de que a inteligência que recebemos estava errada porque, apesar dele ter utilizado armas químicas extensivamente contra sua própria população e contra outras, o programa da forma que achávamos que era não existia da forma que pensávamos (...) e certamente, nosso erro no entendimento do que aconteceria se removêssemos o regime."
E é isso. Doze anos depois, e em duas frases confusas, Blair tenta se redimir. O entrevistador vira seu cúmplice: simplesmente não pressiona Blair nessa questão. É claro, se pressionasse, não conseguiria mais entrevistas com o alto escalão.

A resposta é genérica pois ele admitiu que a inteligência era errada, porém não se aprofundou no porquê. Os acontecimentos que cercaram o casus belli, a razão para a guerra do Iraque, já são conhecidos. Na primeira reunião do National Security Council da administração Bush, em 30 de janeiro de 2001, o assunto já era o Iraque (link e link, e em mais detalhes no livro The Price of Loyalty, de Ron Suskind). Horas depois do ataque do 11 de setembro de 2001, Rumsfeld ordenou que seus subordinados obtivessem informações relacionando Saddam ao ataque, com o objetivo de atacar o Iraque na esteira dos atentados (link). Rumsfeld abriu um escritório, chamado "Office of Special Plans" (Escritório de Planos Especiais), cuja função era encontrar informações para substanciar uma intervenção militar no Iraque. É desse escritório que saíram as mentiras sobre armas de destruição em massa e sobre as conexões do governo do Iraque com a al-Qaeda.

Especificamente sobre as armas de destruição em massa, uma das mais espetaculares mentiras era de que a qualquer momento, o Iraque poderia executar um ataque nuclear nos EUA. Essa afirmação - irrefutável, segundo a Casa Branca - era uma especulação, por parte de um pequeno grupo de analistas, de que certos "tubos de alumínio" adquiridos pelo Iraque serviriam para um centrífuga de enriquecimento de urânio. Diversos especialistas duvidaram disso, já que os tubos simplesmente não eram do tipo utilizado em centrífugas. Toda a história é muito bem contada no filme Jogo de Poder, de 2010. Por que não perguntar a Blair diretamente sobre isso? Como ele pode ter acreditado nesse pequeno grupo? Será que isso faria Blair gaguejar um pouco? Na verdade, o entrevistador podia ter perguntado sobre cada uma das afirmações mentirosas feitas no caminho para a guerra do Iraque, feitas pela adminsitração Bush e ecoadas pelos seus parceiros da OTAN... Mas aí a entrevista precisaria de vários dias, já que são 935 dessas afirmações, segundo o autor Charles Lewis.

Obrigado ao zerohedge pela dica do link.

26/10/2015

Atualização da Síria - 26/10/2015

Olá. Como ressaltei na coluna há uns dias atrás, a situação na Síria está evoluindo rapidamente. A "nova" Guerra Fria se transformou numa guerra de características novas. Apenas em raras ocasiões os caças russos e estadunidenses estiveram no mesmo campo de batalha, e desta vez, a disputa é indireta.

Primeiro, algo que eu não tinha notado. O governo do Iraque está sinalizando que quer a ajuda da Rússia para combater o ISIS dentro do seu território. Isso deve estar dando algumas noites em claro para alguns planejadores do Pentágono. Além disso, hoje o Wall Street Journal noticiou que o governo afegão irá comprar helicópteros, armas e munição dos russos. Ambos os eventos sinalizam que a intervenção da Rússia vem repercutindo positivamente nos vizinhos da Síria.

Segundo, e do outro lado, o Secretário de Estado John Kerry se encontrou com o mais alto escalão da monarquia Saudita: Salman bin Abdulaziz Al Saud, o rei; Muhammad bin Nayef, o príncipe; Mohammad bin Salman Al Saud, o vice-princípe; e Adel al-Jubeir, o ministro de relações exteriores. Num curtíssimo pronunciamento, o Departamento de Estado afirmou que ambos "prometeram continuar e intensificar o apoio a oposição moderada na Síria enquanto a via política também está sendo trilhada". A hipocrisia é realmente incrível, como notou o zerohedge: ao mesmo tempo que armam grupos dentro da Síria, podem dizer ao público que estão buscando uma solução política.

Terceiro, algo que eu me esqueci de mencionar até agora. A Rússia continua tentando obter, dos EUA e da União Européia, informações sobre a "oposição moderada" que eles apoiam. Ambos se recusam a cooperar. Ou seja, reclamam que os russos estão atacando posições dos rebeldes que eles financiam, mas se recusam a revelar onde estão tais rebeldes, para que a Rússia não ataque.

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Há duas outras características do conflito que valem a pena notar.

De um lado, os EUA sempre obscurecem suas operações, não revelando praticamente nada sobre cada ataque. Há bombardeios em cidades, em "complexos terroristas" e outras referências vagas, mas nada muito concreto. Isso é tão rotineiro que os EUA foram capazes de dizer, inicialmente, que não tinham detalhes do ataque ao hospital em Kunduz. Isto é, os EUA criaram tamanha blindagem contra os olhos inquisidores da imprensa e do público, que virou procedimento padrão negar, negar, negar. A Rússia está fazendo um esforço para se diferenciar nesse aspecto. Comunica regularmente quais ataques foram feitos, com detalhes, e muitas vezes com vídeos e imagens.

Por último, a entrada da Rússia também representa a entrada de um sistema de satélites que se assemelha ao sistema dos EUA. Ou seja, o tipo de informação que a Rússia é capaz de obter de elementos do campo de batalha é muito melhor que o do Exército Sírio. Imagino que essa seja uma das razões para a aparentemente eficiente campanha que os russos estão fazendo.
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