23.10.15

Coluna do jornal Hora do Povo, 23/10/2015

Olá, leitores!

Estou - finalmente - conectando o blog à coluna. Me desculpem pela demora.

As colunas anteriores podem ser encontradas em:

  1. "Tropas americanas no Mar Báltico" (17/06/2015)
  2. "Espionagem na França" (01/07/2015)
  3. "CIA usa apoio de psicólogos em sessões de tortura" (15/07/2015)
  4. "Filmadoras e Armas" (31/07/2015)
  5. "A Guerra 'Fria'" (14/08/2015)
  6. "OTAN versus Rússia" (28/08/2015)
  7. "11 de Setembro" (11/09/2015)
  8. "DDHH, ONU, e Arábia Saudita" (25/09/2015)
  9. "Russos na Síria" (09/10/2015)
  10. "Ainda sobre a Síria" (23/10/2015)
Esta última (link) segue em versão hypertext abaixo:

Ainda sobre a Síria

Há um burburinho agora, sorrateiro, dizendo – após 20 dias – que a intervenção russa na Síria foi um enorme fracasso. Que Putin está cavando a própria cova, que ele só entrou no conflito abertamente pois os EUA deixaram um “vácuo”, e que no fundo, no fundo, seu objetivo é apenas fortalecer sua influência com os extremistas e ditadores Xiitas inimigos do Ocidente: A Síria “de Assad”, o Irã e, para não ter dúvidas de quem estamos falando, o Hezbollah.
Não caiam nessa, amigos. É o chamado “spin”, o jeito de dar a notícia que consegue impor um certo ponto de vista. E não é um spin qualquer. Segundo a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, podemos comparar a postura da mídia Ocidental com relação a intervenção russa com a de um “batalhão armado ofensivo”. É quase impossível não perceber as curiosas e cuidadosas escolhas de palavras por parte dos jornalistas.
Além disso, este é um assunto complexo; ou seja, é precipitado tirar conclusões após 20 dias de intervenção militar. A essa altura, apenas acompanhar os acontecimentos é uma atividade custosa. Hoje mesmo, enquanto fecho esta coluna, foi confirmado que Bashar al-Assad foi à Rússia encontrar Putin, em sua primeira viagem oficial ao exterior desde 2011.
Dito isso, devo dizer que em relação a coluna anterior, encontrei mais confirmações que de fato, a Rússia vem atacando posições de todo tipo de terroristas, incluindo os “moderados” financiados pela CIA e pelo Pentágono. Especulo que esse é um dos seus objetivos estratégicos. Ao atacar posições clandestinas dos EUA na Síria, os russos reforçam a aliança com Assad, e ao mesmo tempo podem observar a reação consternada dos EUA, que não pode sequer admitir a existência de tais operações clandestinas.

Os Drone Papers

Na semana passada, uma nova leva de documentos foi revelada pelo blogTheIntercept.com. Essa nova leva de documentos lida diretamente com um dos mais secretos programas dos EUA: assassinato via drone. O autor do vazamento ainda é desconhecido. (Nota: Um link prático para os documentos pode ser encontrado no Cryptome, é um dos links do dia 15 de outubro).
Os documentos, por si só, são fascinantes. Dá toda a impressão que esse era exatamente o tipo de documento que apenas os olhos do mais alto escalão dos EUA podiam ver. Eles dão uma visão do que foram a Força Tarefa (Task Force) 48-4 e a Operação Haymaker. Uma das revelações é que, no caso da Operação Haymaker, no nordeste do Afeganistão, em 56 ataques, foram 219 “inimigos mortos” (Enemy Killed in Action, EKIA no documento) para 35 “prêmios” (jackpot, JP no documento). Os prêmios, é claro, são os alvos. Em média, para cada alvo morto, 6 outras pessoas morreram, simplesmente por estarem perto dele. Também fica óbvio que alguns ataques erraram totalmente o alvo.
A cobertura do The Intercept é bastante abrangente, sendo oito matérias, cada uma focando em um aspecto do programa e de seus problemas. É de ficar tonto. Entre os outros aspectos estão: o especulativo processo de “adivinhar” se o indivíduo em questão foi morto ou não; o especulativo processo de determinar quemrealmente morreu; a grande burocracia envolvida nos ataques; os depoimentos de diversos oficiais denunciando as falhas do programa; adifícil relação com os governos do Iêmen e da Somália; e a expansão militar dos EUA na África (de onde a Força Tarefa está baseada).
O crucial, no entanto, está no primeiro artigo. Intitulado “O Complexo do Assassinato”, ele inicia assim: “Drones são uma ferramenta, não uma política. A política é assassinato”.

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