31/10/2015

Tony Blair "pede desculpas" pelos erros na invasão do Iraque

Leitores, dá pra acreditar nisso?

Vejam só esse segmento da CNN:

http://edition.cnn.com/2015/10/25/europe/tony-blair-iraq-war/

Nele, Fareed Zakaria entrevista Tony Blair e eles tem o seguinte diálogo:
Fareed Zakaria: "Dado, no entanto, que Saddam Hussein não possuía armas de destruição em massa, a decisão de entrar no Iraque e derrubar seu regime foi um erro?"

Tony Blair: "Posso dizer que peço desculpas pelo fato de que a inteligência que recebemos estava errada porque, apesar dele ter utilizado armas químicas extensivamente contra sua própria população e contra outras, o programa da forma que achávamos que era não existia da forma que pensávamos (...) e certamente, nosso erro no entendimento do que aconteceria se removêssemos o regime."
E é isso. Doze anos depois, e em duas frases confusas, Blair tenta se redimir. O entrevistador vira seu cúmplice: simplesmente não pressiona Blair nessa questão. É claro, se pressionasse, não conseguiria mais entrevistas com o alto escalão.

A resposta é genérica pois ele admitiu que a inteligência era errada, porém não se aprofundou no porquê. Os acontecimentos que cercaram o casus belli, a razão para a guerra do Iraque, já são conhecidos. Na primeira reunião do National Security Council da administração Bush, em 30 de janeiro de 2001, o assunto já era o Iraque (link e link, e em mais detalhes no livro The Price of Loyalty, de Ron Suskind). Horas depois do ataque do 11 de setembro de 2001, Rumsfeld ordenou que seus subordinados obtivessem informações relacionando Saddam ao ataque, com o objetivo de atacar o Iraque na esteira dos atentados (link). Rumsfeld abriu um escritório, chamado "Office of Special Plans" (Escritório de Planos Especiais), cuja função era encontrar informações para substanciar uma intervenção militar no Iraque. É desse escritório que saíram as mentiras sobre armas de destruição em massa e sobre as conexões do governo do Iraque com a al-Qaeda.

Especificamente sobre as armas de destruição em massa, uma das mais espetaculares mentiras era de que a qualquer momento, o Iraque poderia executar um ataque nuclear nos EUA. Essa afirmação - irrefutável, segundo a Casa Branca - era uma especulação, por parte de um pequeno grupo de analistas, de que certos "tubos de alumínio" adquiridos pelo Iraque serviriam para um centrífuga de enriquecimento de urânio. Diversos especialistas duvidaram disso, já que os tubos simplesmente não eram do tipo utilizado em centrífugas. Toda a história é muito bem contada no filme Jogo de Poder, de 2010. Por que não perguntar a Blair diretamente sobre isso? Como ele pode ter acreditado nesse pequeno grupo? Será que isso faria Blair gaguejar um pouco? Na verdade, o entrevistador podia ter perguntado sobre cada uma das afirmações mentirosas feitas no caminho para a guerra do Iraque, feitas pela adminsitração Bush e ecoadas pelos seus parceiros da OTAN... Mas aí a entrevista precisaria de vários dias, já que são 935 dessas afirmações, segundo o autor Charles Lewis.

Obrigado ao zerohedge pela dica do link.

26/10/2015

Atualização da Síria - 26/10/2015

Olá. Como ressaltei na coluna há uns dias atrás, a situação na Síria está evoluindo rapidamente. A "nova" Guerra Fria se transformou numa guerra de características novas. Apenas em raras ocasiões os caças russos e estadunidenses estiveram no mesmo campo de batalha, e desta vez, a disputa é indireta.

Primeiro, algo que eu não tinha notado. O governo do Iraque está sinalizando que quer a ajuda da Rússia para combater o ISIS dentro do seu território. Isso deve estar dando algumas noites em claro para alguns planejadores do Pentágono. Além disso, hoje o Wall Street Journal noticiou que o governo afegão irá comprar helicópteros, armas e munição dos russos. Ambos os eventos sinalizam que a intervenção da Rússia vem repercutindo positivamente nos vizinhos da Síria.

Segundo, e do outro lado, o Secretário de Estado John Kerry se encontrou com o mais alto escalão da monarquia Saudita: Salman bin Abdulaziz Al Saud, o rei; Muhammad bin Nayef, o príncipe; Mohammad bin Salman Al Saud, o vice-princípe; e Adel al-Jubeir, o ministro de relações exteriores. Num curtíssimo pronunciamento, o Departamento de Estado afirmou que ambos "prometeram continuar e intensificar o apoio a oposição moderada na Síria enquanto a via política também está sendo trilhada". A hipocrisia é realmente incrível, como notou o zerohedge: ao mesmo tempo que armam grupos dentro da Síria, podem dizer ao público que estão buscando uma solução política.

Terceiro, algo que eu me esqueci de mencionar até agora. A Rússia continua tentando obter, dos EUA e da União Européia, informações sobre a "oposição moderada" que eles apoiam. Ambos se recusam a cooperar. Ou seja, reclamam que os russos estão atacando posições dos rebeldes que eles financiam, mas se recusam a revelar onde estão tais rebeldes, para que a Rússia não ataque.

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Há duas outras características do conflito que valem a pena notar.

De um lado, os EUA sempre obscurecem suas operações, não revelando praticamente nada sobre cada ataque. Há bombardeios em cidades, em "complexos terroristas" e outras referências vagas, mas nada muito concreto. Isso é tão rotineiro que os EUA foram capazes de dizer, inicialmente, que não tinham detalhes do ataque ao hospital em Kunduz. Isto é, os EUA criaram tamanha blindagem contra os olhos inquisidores da imprensa e do público, que virou procedimento padrão negar, negar, negar. A Rússia está fazendo um esforço para se diferenciar nesse aspecto. Comunica regularmente quais ataques foram feitos, com detalhes, e muitas vezes com vídeos e imagens.

Por último, a entrada da Rússia também representa a entrada de um sistema de satélites que se assemelha ao sistema dos EUA. Ou seja, o tipo de informação que a Rússia é capaz de obter de elementos do campo de batalha é muito melhor que o do Exército Sírio. Imagino que essa seja uma das razões para a aparentemente eficiente campanha que os russos estão fazendo.

23/10/2015

Coluna do jornal Hora do Povo, 23/10/2015

Olá, leitores!

Estou - finalmente - conectando o blog à coluna. Me desculpem pela demora.

As colunas anteriores podem ser encontradas em:

  1. "Tropas americanas no Mar Báltico" (17/06/2015)
  2. "Espionagem na França" (01/07/2015)
  3. "CIA usa apoio de psicólogos em sessões de tortura" (15/07/2015)
  4. "Filmadoras e Armas" (31/07/2015)
  5. "A Guerra 'Fria'" (14/08/2015)
  6. "OTAN versus Rússia" (28/08/2015)
  7. "11 de Setembro" (11/09/2015)
  8. "DDHH, ONU, e Arábia Saudita" (25/09/2015)
  9. "Russos na Síria" (09/10/2015)
  10. "Ainda sobre a Síria" (23/10/2015)
Esta última (link) segue em versão hypertext abaixo:

Ainda sobre a Síria

Há um burburinho agora, sorrateiro, dizendo – após 20 dias – que a intervenção russa na Síria foi um enorme fracasso. Que Putin está cavando a própria cova, que ele só entrou no conflito abertamente pois os EUA deixaram um “vácuo”, e que no fundo, no fundo, seu objetivo é apenas fortalecer sua influência com os extremistas e ditadores Xiitas inimigos do Ocidente: A Síria “de Assad”, o Irã e, para não ter dúvidas de quem estamos falando, o Hezbollah.
Não caiam nessa, amigos. É o chamado “spin”, o jeito de dar a notícia que consegue impor um certo ponto de vista. E não é um spin qualquer. Segundo a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, podemos comparar a postura da mídia Ocidental com relação a intervenção russa com a de um “batalhão armado ofensivo”. É quase impossível não perceber as curiosas e cuidadosas escolhas de palavras por parte dos jornalistas.
Além disso, este é um assunto complexo; ou seja, é precipitado tirar conclusões após 20 dias de intervenção militar. A essa altura, apenas acompanhar os acontecimentos é uma atividade custosa. Hoje mesmo, enquanto fecho esta coluna, foi confirmado que Bashar al-Assad foi à Rússia encontrar Putin, em sua primeira viagem oficial ao exterior desde 2011.
Dito isso, devo dizer que em relação a coluna anterior, encontrei mais confirmações que de fato, a Rússia vem atacando posições de todo tipo de terroristas, incluindo os “moderados” financiados pela CIA e pelo Pentágono. Especulo que esse é um dos seus objetivos estratégicos. Ao atacar posições clandestinas dos EUA na Síria, os russos reforçam a aliança com Assad, e ao mesmo tempo podem observar a reação consternada dos EUA, que não pode sequer admitir a existência de tais operações clandestinas.

Os Drone Papers

Na semana passada, uma nova leva de documentos foi revelada pelo blogTheIntercept.com. Essa nova leva de documentos lida diretamente com um dos mais secretos programas dos EUA: assassinato via drone. O autor do vazamento ainda é desconhecido. (Nota: Um link prático para os documentos pode ser encontrado no Cryptome, é um dos links do dia 15 de outubro).
Os documentos, por si só, são fascinantes. Dá toda a impressão que esse era exatamente o tipo de documento que apenas os olhos do mais alto escalão dos EUA podiam ver. Eles dão uma visão do que foram a Força Tarefa (Task Force) 48-4 e a Operação Haymaker. Uma das revelações é que, no caso da Operação Haymaker, no nordeste do Afeganistão, em 56 ataques, foram 219 “inimigos mortos” (Enemy Killed in Action, EKIA no documento) para 35 “prêmios” (jackpot, JP no documento). Os prêmios, é claro, são os alvos. Em média, para cada alvo morto, 6 outras pessoas morreram, simplesmente por estarem perto dele. Também fica óbvio que alguns ataques erraram totalmente o alvo.
A cobertura do The Intercept é bastante abrangente, sendo oito matérias, cada uma focando em um aspecto do programa e de seus problemas. É de ficar tonto. Entre os outros aspectos estão: o especulativo processo de “adivinhar” se o indivíduo em questão foi morto ou não; o especulativo processo de determinar quemrealmente morreu; a grande burocracia envolvida nos ataques; os depoimentos de diversos oficiais denunciando as falhas do programa; adifícil relação com os governos do Iêmen e da Somália; e a expansão militar dos EUA na África (de onde a Força Tarefa está baseada).
O crucial, no entanto, está no primeiro artigo. Intitulado “O Complexo do Assassinato”, ele inicia assim: “Drones são uma ferramenta, não uma política. A política é assassinato”.

26/05/2015

Manchetes do Mês Passado - III

Olá, leitores.

Mais uma sequência para tentar alcançar os dias de hoje.

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30 de abril de 2015

WhoWhatWhy: "Quando um Infiltrado do FBI se Torna um Criminoso?"

Nesta entrevista de 20 minutos, Russ Baker descreve brevemente como tem sido o julgamento de Dzhokhar Tsarnaev. Ele diz: "a defesa disse que ele cometeu o crime, o que deixou as pessoas um pouco confusas já que se esperava algum tipo de defesa... Mas de qualquer maneira...". Ele também se aprofunda um pouco sobre a questão do FBI. O FBI entrevistou Tamerlan, o irmão e "arquiteto" do ataque, antes de Tamerlan ir ao Dagestão e supostamente receber treinamento terrorista. Nessa entrevista, Tamerlan simplesmente disse que "não era um jihadi", e o FBI concluiu que não havia nada mais a fazer, o que Russ achou bastante estranho. Depois da viagem ao Dagestão, o serviço antiterrorista russo avisou o FBI, que novamente não agiu de maneira alguma. 
Segundo Russ (a partir de 6:45), "para mim, o que eu percebi nesta história, consistentemente, é que o governo federal estava muito preocupado sobre alguma coisa que ele não estão revelando, e era muito, muito importante, mudar o 'tom' do julgamento. Eles estabeleceram uma pesada operação psicológica nesta história. Se você olhar outros julgamentos federais, nunca houve tantos vazamentos para a mídia e uma preocupação tão grande em criar uma narrativa, uma narrativa mística, sobre o evento. O que estou falando é que, e a mídia sequer está falando sobre isso, é que não é normal, por exemplo, um policial ser baleado e haver passeatas, cervejas nomeadas em homenagem a ele, maratonas de 10km, camisetas e por aí vai. (...) Ele nem era um policial, era um guarda universitário, ele nem estava envolvido no atentado em si. (...) De fato, a história de sua morte é confusa, sequer temos a certeza que foram os irmãos Tsarnaev que o mataram, o vídeo mostra apenas 'vultos com capuzes'. E depois, o Vice-Presidente Biden viajou [para Boston], houve uma grande passeata... É tudo meio estranho... E se você olhar para os regimes ao longo da história, quando eles fazem uma coisa assim é porque há algum interesse nisso, qual é, eu não sei."

The Intercept: "A Demissão Covarde de um Jornalista da TV Estatal Australiana Destaca a Verdadeira Religião do Ocidente"

Nesta boa matéria de Glenn Greenwald, ele chama atenção para o caso de Scott McIntyre, que foi demitido após questionar, no Twitter, o "patriotismo" de um feriado nacional australiano, em que todo o país estava elogiando seus militares, sem pensar no que, por exemplo, eles também fizeram onde lutaram: estupraram e executaram sumariamente. Imediatamente, o ministro Turnbull disse que os comentários de McIntyre eram "ofensivos, inapropriados e desprezíveis". Esse ministro é responsável pelo ministério que dá 80% dos fundos da rede SBS, que empregava McIntyre. Pouco tempo depois, a rede tuítou que "apóia os militares e dedicou enormes recursos para a cobertura destas comemorações", e o jornalista foi sumariamente demitido. Greenwald conlcui: "A grande, grande maioria do discurso política sobre política externa - especialmente dos comentadores midiáticos dos EUA e da Grã-Bretanha - consiste em pouco mais que variadas declarações de superioridade tribal: nós somos melhores e assim nossa violência é justificada. (...) É por isso que Scott McIntyre foi demitido: porque ele questionou e disputou a mais sagrada doutrina da religião Ocidental."

The Intercept: "Emails Revelam Relacionamento Próximo Entre Grupo de Psicologia e a CIA"

Nesta matéria a jornalista Cora Currier explora os emails revelados recentemente, da correspondência entre psicólogos da CIA e executivos da American Psychology Association. A APA fez uma emenda em seu código de ética em 2002 e assim seus membros puderam observar sessões de tortura. Essa emenda foi retirada em 2010. A APA também deu conselhos para a administração Bush sobre como reagir ao escândalo de tortura em Abu Ghraib. A Associação nega basicamente tudo. Segundo o livro The Search for the Manchurian Candidate, de John D. Marks, que investiga os projetos de "controle da mente" da CIA revelados nos anos 70, a APA tem um relacionamento com a CIA desde os anos 50. Este especial da ABC de 1979 sobre esses mesmos projetos de controle da mente, feito em colaboração com John D. Marks, entrevista diversos ex-membros da APA, que na verdade falam bem tranquilamente do seu papel nessas experiências. Infelizmente esse contexto não é dado na matéria de Cora Currier...
 
WhoWhatWhy: "Ironia das Ironias: Ordenaram que Investigadores que Identificaram Enormes Desperdícios no Afeganistão Façam Cortes de Pessoal"

A matéria começa com a seguinte frase: "Que tal essa injustiça poética? Os investigadores que descobriram que metade dos fundos investidos no Afeganistão desapareceram ou foram desperdiçados... foram ordenados a cortar seu quadro de funcionários." O SIGAR (veja o primeiro link do post anterior) passou de 42 para 25 funcionários. Isso é tão típico. O governo estabelece uma equipe para investigar corrupção, e anuncia a "transparência" aos quatro ventos; a equipe invariavelmente descobre algo, e é prontamente ignorada.

25/05/2015

Manchetes do Mês Passado - II

Olá, leitores.

Segue mais algumas notícias do mês passado... Aos poucos vamos chegar nos dias de hoje :).

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28 de abril de 2015

WhoWhatWhy*: "Quem Quer Ser um Milionário? Edição da Reconstrução do Afeganistão"

Esta matéria comenta um relatório do SIGAR, que é o escritório responsável por fiscalizar as obras de reconstrução no Afeganistão, e que já revelou bilhões de dólares em desvios e mau uso do dinheiro público. Esse relatório é sobre a construção cancelada de um abatedouro, que foi mal planejado e não atenderia às necessidades da população local. A empresa contratada para construir recebeu 1,5 milhões de dólares para construir "parte de uma parede, um poço d'água e uma coluna para uma guarita". Essa empresa está pedindo um adicional de 4,3 milhões de dólares pelo trabalho já realizado. O assunto da reconstrução do Afeganistão (e Iraque) será alvo de outros posts...


Um estudo do Brookings Institute "prova" que "dor, preocupação, tristeza e raiva" estão mais presentes entre os mais pobres que os mais ricos.


29 de abril de 2015


Zero Hedge: "Os Mercados Financeiros Controlam Tudo Agora"

Um post do blogger Charles Hugh-Smithque denuncia constantemente o absurdo que foi a reação dos governos à crise de 2008. Nessa crise, diversos bancos gigantes ficaram à beira da falência e foram salvos por medidas "extraordinárias" que se tornaram normais (e que custaram bilhões aos cidadãos). Destaquei esse post por conta da analogia que ele fez: em Yellowstone, a famosa reserva florestal dos EUA, a floresta acumula galhos e folhas mortas que eventualmente pegam fogo, num processo natural. No entanto, os guardas começaram a apagar o fogo muito cedo, o que causou um acúmulo dessa matéria morta e seca na floresta. Um dia, é claro, um incêndio fugiu do controle por conta do nível anormal de matéria seca. A analogia é que o sistema financeiro também cria "matéria morta", ou seja, bancos que estão podres, falidos, e que devem sair do sistema. No entanto, o enorme poder político dos bancos gigantes fez com que eles se salvassem, porém as partes podres continuam no sistema. Isso vai resultar numa catástrofe incontrolável no futuro, como foi o incêndio em Yellowstone em 1988.

The Intercept: "O Caminho de Tamerlan Tsarnaev para o Extremismo Marcado por Contatos com o FBI"


O julgamento de Dzhokhar Tsarnaev, acusado do atentado na Maratona de Boston de 2013, que começou em março deste ano, gerou diversas matérias (ele foi condenado à morte em 15 de maio). Nesta, é apontado que o irmão de Dzhokhar, Tamerlan, que morreu na perseguição que se seguiu ao atentado, teve diversos contatos com o FBI, incluindo entrevistas e possivelmente um trabalho como informante. É uma das facetas intrigantes do caso. Quando o atentado aconteceu, eu fiquei a semana inteira (do atentado até a prisão dos suspeitos) grudado na CNN e nos sites e fóruns alternativos. Posso dizer que esse atentado, como inúmeros outros, tem uma história mais complexa do que o noticiado, e que envolve agências como o FBI e a CIA. Vai ser assunto de um post também...

Washington's Blog: "Os EUA Vaporizaram as Ilhas Marshall e Fizeram Experimentos Humanos em Seus Nativos"

Neste post, o Washington's Blog chama atenção para um novo documentário "Nuclear Savage", que investiga um projeto secreto de teste de radiação em seres humanos que se passou com os habitantes das Ilhas Marshall entre 1946 e 1958. O trailer chama atenção para o modo como os habitantes das ilhas foram descritos para a audiência estadunidense em 1957: "selvagens".

Viomundo: "Paulo Pimenta: 'Curiosamente, a Zelotes Não é Notícia"

A Operação Zelotes descobriu um esquema multibilionário de sonegação de impostos e pagamento de propinas - os valores são maiores que o da Lava Jato, muito maiores que o do Mensalão - e, no entanto, a cobertura da mídia é totalmente desproporcional. Por que? Bem, não há muitos petistas envolvidos na Zelotes, mas lá estão bancos, a Globo, etc...

Viomundo: "Fátima Oliveira: A carnificina (ou seria genocídio?) de jovens negros no Brasil"

Nesta nota, Fátima Oliveira chama atenção para os resultados da CPI da Violência contra Jovens Negros e Pobres, que, sendo liderada por um petista e tocando num assunto muito espinhoso, também não recebeu cobertura da mídia. Os dados chocam. A impunidade dos agentes policiais sempre foi conhecida, mas essa CPI deu uma informação mais precisa: em apenas 5% das chacinas se estabelece um inquérito.

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*: WhoWhatWhy é um site de mídia alternativa fundado por Russ Baker. Ele foi um jornalista mainstream que, quando pesquisou a vida de George W. Bush para um livro, mudou totalmente de opinião sobre o que era coberto pela mídia, e sobre a própria história dos EUA. O título do livro acabou ficando como "Família de Segredos: A Dinastia Bush, O Governo Invísivel da América e a História Oculta dos Últimos Cinquenta Anos" (Family of Secrets: The Bush Dynasty, America's Invisible Government, and the Hidden History of the Last Fifty Years). É excelente, quando terminar de ler também vai ser assunto de um post.

24/05/2015

Manchetes do Mês Passado - I

Olá, povo.

Vou começar uma nova sequência no blog, um apanhado das notícias que tenho lido, com um pequeno resumo/contexto. Eu utilizo o aplicativo RSSDemon no celular, que junta diversos sites num lugar só - como se fosse um jornal personalizado, e seleciono algumas notícias para estes posts. Então, segue uma lista com as últimas notícias que me chamaram a atenção. Neste começo vou postar as minhas favoritas mais antigas, que acumularam, mas daqui a um tempo serão notícias mais atuais.

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17 de abril de 2015


Uma matéria curta, mostrando um vídeo da companhia Unicor, que gerencia mão de obra em prisões, que emprega prisioneiros em call centers por um salário que pode chegar à 23 centavos por hora (o salário mínimo dos EUA é de aproximadamente 7 dólares por hora). "Todos os benefícios da terceirização offshore dentro dos EUA!"


Matéria do jornalista Jeremy Scahill, autor de um livro que virou documentário, Dirty Wars, em conjunto com a revista alemã Der Spiegel. Foi baseada em uma apresentação Top Secret (fornecida por uma fonte ainda desconhecida), sobre a centralidade da base alemã em Ramstein para o programa de drones dos EUA. A conexão Ramstein-drones sempre foi negada tanto pelos alemães quanto pelos americanos.

24 de abril de 2015

The Intercept*: "A Ferramenta Chave da Propaganda da Guerra ao Terror: Apenas Vítimas Ocidentais São Reconhecidas"

Matéria do excelente Glenn Greenwald, uma das pessoas que Edward Snowden entrou em contato para vazar seus documentos em 2013. Recentemente, o Presidente Obama pediu desculpas por um ataque de drone que matou dois reféns acidentalmente. O que Greenwald aponta é que os EUA tem um histórico recente e brutal de matar mulheres, crianças e homens inocentes com drones, inclusive com diversos ataques a casamentos e até a equipes de resgate e funerais. Além disso, ele aponta que os EUA consideram todos os homens entre 18 e aproximadamente 50 anos que estão na área atingida pelos mísseis como "combatentes inimigos", a não ser que, postumamente, se prove que eles não eram militantes (veja esta matéria do New York Times). Segundo Greenwald, "essa mentalidade é o ápice da desumanização".

26 de abril de 2015

Zero Hedge: "A Não-Pax Americana: Onde se Pode Encontrar Forças Especiais Americanas ao Redor do Globo"

Do Wall Street Journal: "Ao longo do ano passado, forças especiais foram para 81 países, a maior parte das vezes para treinar os locais para que forças americanas não precisem lutar". Segundo o jornalista Nick Turse, que se dedica a acompanhar de perto as forças especiais, o oficial de relações públicas do Special Operations Command (SOCOM) declarou um total de países ainda maior: 133 para o ano fiscal de 2014. Ainda segundo Turse, isso resultou num total de 150 países ao longo dos últimos 3 anos.

Zero Hedge: "Banco Central de Boston Admite que Não Há Saída, Sugere que Compra de Ativos (QE) Se Torne Política Monetária Normal"

A unidade de Boston do Banco Central dos EUA, num novo paperdiscutiu a possibilidade do programa de compra de ativos (Quantitative Easing) se transforme de opção "extraordinária" de política monetária para uma ferramenta normal de política monetária. É claro, essa política tem feito maravilhas para 1% dos estadunidenses (NYTimes, Washington Post), enquanto a participação da população na força de trabalho está em níveis baixos recordes (mais de 93 milhões de adultos não estão trabalhando, nem procurando trabalho)...

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*: Os blogs "Unofficial Sources" e "The Intercept" fazem parte da First Look Mediaum conglomerado de mídia alternativa financiado pelo bilionário dono do PayPal e do eBay, Pierre Omidyar. Este conglomerado foi fundado em parceria com Glenn Greenwald e outros, e sua primeira matéria foi sobre os documentos de Edward Snowden. Alguns criticaram Greenwald, dizendo que ele "vendeu" os documentos para um bilionário com laços com a Casa Branca. Eu acho que sim, houve uma cooptação e algumas revelações ainda mais explosivas podem ter sido censuradas. Porém, o time de jornalistas é de alta qualidade e as matérias são bem diferentes do que está na mídia convencional e em boa parte da mídia alternativa.
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