26.10.15

Atualização da Síria - 26/10/2015

Olá. Como ressaltei na coluna há uns dias atrás, a situação na Síria está evoluindo rapidamente. A "nova" Guerra Fria se transformou numa guerra de características novas. Apenas em raras ocasiões os caças russos e estadunidenses estiveram no mesmo campo de batalha, e desta vez, a disputa é indireta.

Primeiro, algo que eu não tinha notado. O governo do Iraque está sinalizando que quer a ajuda da Rússia para combater o ISIS dentro do seu território. Isso deve estar dando algumas noites em claro para alguns planejadores do Pentágono. Além disso, hoje o Wall Street Journal noticiou que o governo afegão irá comprar helicópteros, armas e munição dos russos. Ambos os eventos sinalizam que a intervenção da Rússia vem repercutindo positivamente nos vizinhos da Síria.

Segundo, e do outro lado, o Secretário de Estado John Kerry se encontrou com o mais alto escalão da monarquia Saudita: Salman bin Abdulaziz Al Saud, o rei; Muhammad bin Nayef, o príncipe; Mohammad bin Salman Al Saud, o vice-princípe; e Adel al-Jubeir, o ministro de relações exteriores. Num curtíssimo pronunciamento, o Departamento de Estado afirmou que ambos "prometeram continuar e intensificar o apoio a oposição moderada na Síria enquanto a via política também está sendo trilhada". A hipocrisia é realmente incrível, como notou o zerohedge: ao mesmo tempo que armam grupos dentro da Síria, podem dizer ao público que estão buscando uma solução política.

Terceiro, algo que eu me esqueci de mencionar até agora. A Rússia continua tentando obter, dos EUA e da União Européia, informações sobre a "oposição moderada" que eles apoiam. Ambos se recusam a cooperar. Ou seja, reclamam que os russos estão atacando posições dos rebeldes que eles financiam, mas se recusam a revelar onde estão tais rebeldes, para que a Rússia não ataque.

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Há duas outras características do conflito que valem a pena notar.

De um lado, os EUA sempre obscurecem suas operações, não revelando praticamente nada sobre cada ataque. Há bombardeios em cidades, em "complexos terroristas" e outras referências vagas, mas nada muito concreto. Isso é tão rotineiro que os EUA foram capazes de dizer, inicialmente, que não tinham detalhes do ataque ao hospital em Kunduz. Isto é, os EUA criaram tamanha blindagem contra os olhos inquisidores da imprensa e do público, que virou procedimento padrão negar, negar, negar. A Rússia está fazendo um esforço para se diferenciar nesse aspecto. Comunica regularmente quais ataques foram feitos, com detalhes, e muitas vezes com vídeos e imagens.

Por último, a entrada da Rússia também representa a entrada de um sistema de satélites que se assemelha ao sistema dos EUA. Ou seja, o tipo de informação que a Rússia é capaz de obter de elementos do campo de batalha é muito melhor que o do Exército Sírio. Imagino que essa seja uma das razões para a aparentemente eficiente campanha que os russos estão fazendo.

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