22.10.11

Informação é libertação

"Informação é libertação"

 Pensamentos de uma bibliotecária do povo na #OWS


Em meio à cantoria, palavras de ordem e debates na Liberty Plaza (praça de Nova York), floresceu uma biblioteca. Abastecida com doações e num regime de trabalho voluntário, está à espera e pronta para oferecer a palavra impressa para qualquer um que possa ler.

Occupy Wall Street ("ocupe Wall St.") é um levante verdadeiramente "grassroots" ("de base"). Liberty Plaza e as ocupações em outras cidades são locais para começar a curar a nossa sociedade, profundamente doente e absolutamente "quebrada". São locais para falar a verdade ao poder e entre si. Mais, são locais para querer e para transformar nossas visões alternativas em realidade.

Reimaginar quem somos, entender em que nos transformamos, são atividades em grupo. Atividades que necessitam relfexão pessoal e falar a verdade em público. Para que isso seja um processo equitativo, justo e inclusivo, precisamos asegurar que todo cidadão tenha acesso a essa discussão e aos fatos que a informam. É por isso que há uma biblioteca na OWS.

As bibliotecas servem como um equalizador, reduzindo a assimetria da informação para que todos os cidadãos possam estar no mesmo barco nos debates. Elas oferecem acesso à todas as idéias, e não porque todas as idéias são boas ou verdadeiras, mas porque todas as idéias merecem a chance de serem ouvidas e porque nada é mais sedutor que uma idéia censurada ou escondida.

"Informação é libertação" é uma verdade que pode ser difícil de entender de uma posição privilegiada. Se você trabalha para uma universidade ou vive numa cidade grande com um sistema de biblioteca robusto, informação é como oxigênio: sempre lá, sempre (aparentemente) de graça. Para os muitos milhões que não trabalham para uma universidade e que não vivem numa cidade grande com uma biblioteca com recursos, informação é escassa e frequentemente cara.

Não seria necessário dizer, mas não podemos ser livres como um povo se não temos todos acesso à informação de qualidade, incluindo informação que vem através de histórias e poesia. Sem informação e histórias não podemos examinar narrativas dos poderosos e julgá-los de uma posição de igualdade de informações. Uma bibliotecária conhecida disse num artigo recente denunciando cortes aos orçamentos de bibliotecas públicas, "O próximo Abraham Lincoln pode estar sentado na biblioteca deles, estudando tudo aquilo que ele precisa saber para salvar o país." É claro, ele pode estar, mas evocar Abraham Lincoln revela a tamanho da degradação do discurso nacional. Mesmo que não haja nenhum Lincoln em sua biblioteca, ou em qualquer outra, mesmo que os único leitores sejam os cidadãos mais humildes entre nós, uma sociedade livre e just necessita de bibliotecas.

Da mesma maneira que os padres controlavam a socidade na Idade Média pela sua interpretação da Bíblia, hoje a estrutura do poder corporativo controla o que sabemos. Dão destaque aos fatos que querem que nós absorvamos e reduzem e ignoram o que desejam obscurecer. Dados "objetivos" e análises revisadas por colegas estão atrás de uma enorme barreira de custos e o acesso do público à esse conhecimento é ameaçado por cortes severos nos orçamentos de bibliotecas públicas e até acadêmicas.

Nos curar, resgatar a política e a cultura, requerem um novo entendimento sobre o que nos tornamos como povo. Requer reimaginar o que significa ser um americano, como tratamos uns aos outros, e como nos comportamos no mundo. A democracia só é possível se tivermos igualdade política, que só é possível quando todos os cidadãos tenham uma educação de qualidade e acesso contínuo à conversação erudita e cultural.

As bibliotecas são mais importantes que nunca nesses tempos. Elas asseguram o direito do público de saber e buscar respostas, provêm todos os cidadãos com acesso a fatos, às narrativas culturais que não são aprovadas pela estrutura de poder dominante e principalmente, contribuem para a criação de igualdade política entre cidadãos pois reduz os impactos da desigualdade econômica.

A Biblioteca do Povo na OWS, e todas as outras bibliotecas de ocupações, são uma expressão desses papéis. Elas se põem no meio do protesto como um organismo vivo da visão profunda de uma socidade justa e democrática que nós temos. A criação das bibliotecas é um ato de protesto que diz, "somos todos um e juntos vamos construir a socidade que todos imaginamos".

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